domingo, 18 de agosto de 2013

Friozinho no alto da serra


O Bairro do Catolé sob nevoeiro

Campina Grande já não é mais a mesma. Já vai longe o tempo quem que a cidade era dominada por aquele friozinho gostoso que durava meses sem fim, gelando tudo, molhando e umedecendo tudo. Aquela chuvinha fina que durava dias, semanas a fio, lavando lentamente as ruas e calçadas, também ficou para traz. Naqueles dias, quanto mais a chuva insistia e se demorava mais o frio tomava conta da serra da Borborema, gelando o nosso corpo e a nossa alma. Era tão bom. A cidade se preparava literalmente para o frio. Desfilavam-se roupas volumosas, colchas de algodão deixavam os armários, calçados apropriados para aguentar lama e chuvisco viravam moda e os velhos guarda-chuvas e sombrinhas coloridas desfilavam pelas ruas. O frio se espalhava literalmente pela serra animando a alma de nossa gente. Mas os tempos mudaram muito. A cidade cresceu e se verticalizou, as ruas foram se pintando de asfalto, a natureza no entorno da  e na cidade sofreu agressões irreparáveis e o bom friozinho, acossado também pelas mudanças climáticas que afetam todo o planeta, foi diminuindo a cada ano, se escasseando, se amiudando. Campina Grande não é mais aquela cidade friorenta do passado, que era conhecida pela frieza de seu inverno e pela exuberância de sua garoa. Estes dias rareiam-se, diminuem. Cada vez mais os dias frios cedem espaço ao calor e ao sol implacável que clareia e aquece a maior parte de nossos dias. Contudo, nos diminutos dias de frio que ainda nos resta, Campina insiste em dar um espetáculo de beleza. A garoa teima, contra todas as agressões, e o frio insiste na sua resistência solitária, para a nossa alegria.


Rua Cassiano Pereira, no Jardim Paulistano. Chuva e frio.

 Bodocongó, visto do campus da UEPB

O bairro de Bodocongó com o açude ao fundo.



A Avenida Canal do Prado.

A cena de um espesso nevoeiro cobrindo Campina Grande, especialmente no início da frias manhãs, é ainda possível de se ver, embora o nosso inverno esteja cada vez mais curto e irregular. Mas a cidade resiste no alto da serra, ela é forte, e quando pode nos presenteia com espetáculos de raríssima beleza. Nestes dias é bom sair de casa, enfrentar o frio e contemplar. 

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